Capa
Cadastro
Textos
Áudios
Autores
Mural
Escrivaninha
Ajuda
Textos
Texto

Quero Quatro Sonhos

Bonde
Minha missão acabou.
Se achegue, seu Mestre, me tire
daqui.
Quero ir embora.
Pra que lugar eu não sei,
mas sair daqui eu quero e
quero viver,acho lá em cima,
perto de onde ninguém foi,
longe de meu passado,
de meus quatro sonhos,
sendo, um deles,o de Maria das Graças,
a que mais quero,
pois foi a primeira a partir
e a última a chegar.
Sendo assim, em nome do bom sendo,
das alegorias,
e dos pares de botas,
dos desgarridos e
esfomeados e se lá
o que mais for
ou tiver por vir,
declaro para os
extasiados que amor,
amor,
não é isso não.
Melhor é esperar
a espera do bonde da meia-noite
e seguir toda a vida
em frente;
a procura da mulher verdadeira
que seja tomada de amor por inteiro!
E não de vazios passageiros!
Roda
Compro cinco jornais,
deste bons: que dão brindes:
figurinhas,perfumes,
cds,revitinhas e até cocares;
Compro uma garrafa de pinga-doce,
todos os domingos,
de roupa nova e tratos
de perfume!
Mas já me perguntei:
Mas que diabos, faço
aqui?
Veja lá seu Mestre, me
tire da roda,
minha missão já acabou,
uso remédios para acalmar
e tomo injeções para
desodolorir.
Mas que diabos faço aqui?
Todos os domingos sozinho
e fingindo ser gente grande!
Me tira daqui.
Não sou mais laço
de dar corda.
Sou simples e medroso
igual a um piano sem agudos!

Gamão
Sou apenas um número,
experimente de e a quatro!
mas sem juras de amor:
sem promessas de avelãs!
Sou apenas um número
que a vida me sorteou.
E mandou eu seguir o
caminho dos outros
homens.
Tudo em vão.
Não pulo em precipícios por precaução.
Sou dono da vez e da hora.
Do meu lugar ninguém tira.
Sou bom prá perder,
ou prá jogar gamão.
Mas só não me perguntem o nome
dela;
Dizem que hoje ele virou,
prá tristeza minha,
dona de jogos de salão:
destes que entra um e outros
dois saem,
saem dois e entram quatro!
Tudo por força de
nosso inesquecível amor!
Fuga
Fui um dia cavalheiro da corte:
era sócio das comodidades, de
falhas e acertos e tudo ocasional;
e tinha um
terno a passar, um pomar
embrutecido e um jardim
que se negava a dar flores!
Dos contrários, era eu.
Em permanente guerra
com as coisas feitas,
dono de nada,
de verdade nenhuma.
Nem dono dela,
que cheia de minhas
teorias de vidas e valia,
mandou arriar o cavalo
e seguiu léguas e léguas
prá bem longe de mim!
Só dizendo - não me segue...não me segue!
Aragem
Já fui criança,
por mais que não acredite,
dono de bolas
corridas,
parques e
anseios.
Dono de todas as descobertas!
Era sempre forçado a ir a Igreja,
acompanhar certos mortos,
velejar pela noite,acalentando
aves-marias que não entendia e
sempre duvidar - nunca pensar!
E assim passava meus
dias
até que os dias resolveram
passar por mim
e me deixar descabido e adulto
sem ser dono de nada e de ninguém.
Nem da própria aragem!

Cosmopolita
Cosmopolita eu sou!
Já fui dono de quatro mulheres
todas elas sedentas de
amor,carinho e jóias.
Dono delas,pensva,mas eram donas de mim;
assim enquanto eu pensava ter
um montão de carinho,tinha sim,
um dobrão de dívidas pesquenas que
logo se transformaram numa fortuna!
Quando de todo pobre fiquei,
perdi as dunas!
As mulheres e as lantejoulas!
E hoje faço roçado de fazenda
prá ganhar a vida e o pão.
Mas cosmopolita já fui!
Dono de quatro mulheres
de amor duvidoso!
José Kappel
Enviado por José Kappel em 30/05/2006
Código do texto: T165748
Enviar por e-mail
Denunciar

Comentários

Sobre o autor
José Kappel
Nova Friburgo - Rio de Janeiro - Brasil
2147 textos (26777 leituras)
1 e-livros (125 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 02/12/16 20:49)
José Kappel