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Saco de Farinha

Antes,meu caminho era feito
de parábolas, de mesclas
de feitos impossíveis,
de pérolas mágicas. Antes de
ser já procurava meu caminho.
E meu caminho estava lá.

Mas há de ser!Há de vê-lo!
Mas omisso estava, como os bondes
esperando donzelas prá bater
no rosado na face,
o vento morno da tarde.

Há de ser!
 
Confabulavam,adendos, os deuses
de todos os mundos.
E fui criado sendo gente,
procurado, mas feito de crianças,
mesclado, mas consciente
das perdas e das glórias batidas.
 
Antes, meu caminho
era feito e adornado de
luzes tão passageiras
como o vento.

Hoje, disperso no meio das trilhas da
multidão que não se calcula,
nem lá se facilita,
me confundo no meio de passos
e rumores.
 
Todos correm prá algum lugar,
mas vejo poucos correrem prá dentro
de si mesmos.
 
Certamente não tem jardins!
Digo ao povo - certamente vocês
não tem jardim!
 
Moram em pedra sobre pedra,
e só calculam o tamanho da flor,
mas não sabem acariciá-la e fazê-la
dona de si própria,
dona de todos os espíritos!

Me confundo quando falo com
as pessoas.
Não sei de minhas
incertezas, mas elas existem,
como dizem - existe o pó e a luz.
 
Mas nada disso sou chegado.

Foi apenas um pensamento em vão,
ao cruzar pela multidão que me desconhece,
tanto que mal dá prá vislumbrar minha
sombra.
 
Até da luz se escondem.
Feliz deles!

Feliz por não se conhecerem.
Má sorte minha: fui descobrir
a beleza e nunca mais dela
me desgrudei.
 
Me untou mágia.
Hoje não sei dizer se sou eu
ou parte de mim
que é iluminado, que só se descobre
na meia parte da vida:
- aquela do meio do filme meio ronzo - .

É, agora estou descobrindo.
Sinto que estou descobrindo!Mas, ora!
Descobrindo o quê?

O que os outros já sabem?
E escondem o milagre em seus
bolsos e alpendres de cetim?

Se for buscar, sou sozinho.

E quem vier atrás de mim
também é mágico,alcóolatra
e vive de ilusionismo.

E salve a rainha!
 
Porque esta carga não levo não.
Quem leva rainha é o rei.

Eu levo minha marmita
no meio da multidão.

E sou saudado quando
sou alvitre dono de aves e flores.
Os homens?

Bem, eles poucos
me conhecem, mas se pudessem tirar
de seus caminhos, eles tiravam.
Isso eles faziam.
 
De que valia tem um saco de
farinha,alento, e sem ar?

Hoje sou rosco de farinha
moro na vila dos vinténs.
Sou pobre por natureza.
E no único mlagre que acredito
é que ele possa existir!

José Kappel
Enviado por José Kappel em 30/05/2006
Código do texto: T165755
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Sobre o autor
José Kappel
Nova Friburgo - Rio de Janeiro - Brasil
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José Kappel