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Sol Terceiro

Vim do próximo
e acabei distante.
Uma hora um,
outro, a vez do próximo:
tudo numa reza só.

Nesta festa de mortos,
sou roupa de passar,
estou sempre voltando
pro mesmo lugar.

Largo tempo
de meu tempo,
de
minhas coisas
sem nomes.

Largo tempo,
e não perdôo,
todo se foi
vestido de garoto
de festa comum.

Largo tempo,
que já não tem sobras,
e delas não cobro
e se você olhar
pros lados
vai ver que minha
história tem sua estafa.

Estamos sempre perdendo
pro tempo,
este, augusto, aproveita
prá levar todos,de um pouco
de nós, que estão socobrando
e morrendo.

Somos roupas de passar,
brevidade das horas,
suave amanhecer desconhecido,
onde cotovias anunciam
uma nova vida
que morreu.

E meu
medo já é conhecido e ardente.

E, dizem,lá onde moram:
o sol tem receio de estrelas
muito puras e candentes.
José Kappel
Enviado por José Kappel em 31/05/2006
Código do texto: T166512
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Sobre o autor
José Kappel
Nova Friburgo - Rio de Janeiro - Brasil
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