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Sem Balanço, Sem Corda

Devo aos lentos minha vagareza.
Aos pobres minha honradez. Dos pobres, minha continuidade,
minhas idas e voltas.
Sempre em torno de mim mesmo.
Sempre a procura do vago que me ronda.

Se acho, procuro, porque expande igual ouro;
se acho, tal ouro, tá camuflado de pó;
pó daqui, um pouco de lá: sempre pó.
Se acho, não quero mais.

Se vejo, vejo todas de cidras à mão,
já não sabem o que fazem
e mal eu, nem sei o que digo.

Se caminho, vou às estrepolias,
um balanço sem corda,
um laço de morrer,
uma corda de fazer sufocar.

Por isso, já não vou mais:
se abro a porta da cantina-jovem
vejo-as tontas de cetim.

Se me dou com elas.
É porque elas tem corda no pescoço
e anunciam de perto,
e minha morte quase certa.

José Kappel
Enviado por José Kappel em 31/05/2006
Código do texto: T166534
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Sobre o autor
José Kappel
Nova Friburgo - Rio de Janeiro - Brasil
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