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BALADA CEM PALAVRAS

Tinha um buraco no papel,
No papel tinha um buraco.
Palavras sumindo foram,
caíram despedaçadas.

Umas chegaram ao céu,
Outras no cadafalso.
Estimo que outram moram
Em favelas esburacadas.

Encontro-as, sedentas, ao léu,
Como dentes, sem triunfo e arco.
Vez ou outra umas choram
Enquanto outras dão gargalhadas.

Separo-as, tal num bordel,
Umas descem, outras subir faço.
Por medo umas imploram,
Por coragem, outras amasso.

Encontro-as sempre em público
Em bocas de falsos profetas,
Que vociferam aos súditos
Suas profecias caquéticas.

Em antros de ordem política
Se escondem tal gema em ovo,
Falsárias fogem das críticas
Que lhes dirige o povo.

São criaturas disléxicas
Perpetuando o que comem,
Saladas de bocas fonéticas
Que só as possuem os homens.




Preto Moreno

 
Preto Moreno
Enviado por Preto Moreno em 31/05/2006
Código do texto: T166774

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Sobre o autor
Preto Moreno
São José do Rio Preto - São Paulo - Brasil
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