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DEUSES E MONSTROS

Eu vi sangue pingando das estrelas,
De um lugar longínquo vindo,
Onde bárbaros investiam contra tudo
Que se movesse num raio de muitos quilômetros.
Montanhas de asteróides reluzindo minérios
Criados pelos homens da Terra.

Sangue que descia pelos raios de sol
Como calhas ensanguentadas,
Já não era qualquer uma das estações.
Estações orbitais envelhecidas,
Desde a quinze bilhões de anos
O universo expandido
Espera uma resposta.

Dizem que um dia um deus desceu à Terra,
Um desses deuses curiosos que vez ou outra vem nos espiar.
Achou graça na espécie humana
Que habitava aquele planeta
E decidiu fazer um jogo,
Jogo sangrento ou não,
Dependia apenas dos homens.

Através de um corpo humano
Colocou em prática suas teorias.
Mistério para a razão, razão de mistérios,
Erigiu uma igreja e escolheu um homem
Que a representaria simbolicamente.

O homem acredita em tijolos amontoados,
E sobre a montanha de tijolos coloca ídolos,
Inventa livros, bíblias, regras, leis,
Supõe-se no direito de conduzir uma raça
Enquanto, da caverna do fundo do seu coração,
Vem um riso demoníaco de um deus que joga.

Fora de controle, ao inventar a tragédia,
À céu aberto criaram palcos, arenas, esses homens
Que aqui foram colocados como experimentos.
A tragédia equipara-se à comédia,
Pois a dor guarda no seu bojo um riso,
Seja de escárnio, pena, desprezo, miséria,
Um riso de faca que afia os dentes.

Por serem fatos contados e revelados
Por homens supostamente daquele tempo,
Perpetuou-se o logro, a farsa, o engano,
A história, que nada mais é do que atos no tempo,
E isso causou um profundo desgosto à esse deus
Que logrou devolver tudo mostrando seu abandono.

Deixou o homem entregue à sua própria vontade,
Ao seu suposto livre arbítrio,
Rei e lacaio de um reino inexistente.
Quantos de nós sonhamos sonhos inventados,
Sonhos colocados como memórias ativadas,
E, num suposto cosmos sem fim,
Visitamos apenas os lugares de onde viemos,
Onde lá estivemos no começo de tudo,
Brinquedos de carne e osso de um deus curioso.

Hoje, sócios de nada e gananciosos de tudo,
Tornamo-nos os deuses do próprio planeta,
Construímos naves com os mapas desenhados nos cérebros
Em busca daquele deus curioso que inventou o jogo.

Não sem antes deixar um rastro de destruição,
Como se, ao se tornar ereto, o homem legue
Marcas de patas como se ainda fosse
O mesmo e sempre animal
À procura do celeste que o habita.


Preto Moreno

 





































Preto Moreno
Enviado por Preto Moreno em 01/06/2006
Reeditado em 01/06/2006
Código do texto: T167451

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Sobre o autor
Preto Moreno
São José do Rio Preto - São Paulo - Brasil
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