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Faço e Broto

abro uma porta,
encontro outra,
abro portas
e desleixo paredes.

coisa de horta:
só brota onde
dá sol,
pijamas à parte,
prefiro minha rede.

loucas essas mulheres:

uma hora me pedem
outras despedem
outras ficam omissas
igual à colher de pobre.

não sabem o que querem !
o que faço?
debruço no vazio,
ou vou nadar no
mar lá de belém.

amém, mulheres !

querem ser amadas
igual ave no cio,
mas não deixam
encostar a mão
no cedro levado.

sou arquivo-morto,
pois, delas, nada
consigo,
só à tarde dão
boa-tarte
e à noite,
um adeus torto !

viver assim só
parafuso de rodar:
uma hora tenho que
fazer açougue,
noutra perseguir
a pia e lavar
trouxa de pós,
sem tentar perguntar.

levo fora!

uma hora sou azeite
de esquentar,
noutra,
lençol vazio
de deitar.

por isso,
mulher agora
é assim:

ela lá,
eu aqui.

ela vendo novela
trameira
e eu escrevendo
um monte
de descrença
dela !

mulheres,
adeus.

sou igual,
metade homem,
metade escravo
com muita fome !

e vida assim,
só no olímpo,
onde todo mundo
anda de manta
e nada, mais nada,
faz levantar !
José Kappel
Enviado por José Kappel em 03/06/2006
Código do texto: T168483
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Sobre o autor
José Kappel
Nova Friburgo - Rio de Janeiro - Brasil
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José Kappel