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Cada Um Com Sua Hora

Preciso intensamente
das horas;
elas me impulsionam,
me faz grato
e sobretudo sagaz,
pois sem ela. não vivo.

É hora prá cá, é hora
prá lá. Toda hora é minha
hora. E são tantas que
não sei o que fazer
com o emaranhado de minutos
e segundos que me atordoam.

Mas as horas me perseguem -
como um estinlingue atiça um
pássaro -.
 
Se me guardo, não sei quantas horas
são. Não sei como medi-las.

Por serem inconstantes, uma hora
é assim, outra hora é diferente.

Mas sei que elas me perseguem:
não sou corredor de pista
veloz, nem autódromo
de crianças,
nem cronômetro de espartilhos,
nem vela que acalenta o morto.
Sou até bastante simples,
se não fossem tais horas
que cedo me acordam e
travam meu sono e
me levam a pensamentos
não cabíveis aqui.

Sou bom moço, de estirpe
familiar de classe baixa,
pois meu pai era vendedor
e minha mãe, assaz voadora
das coisas da vida.
Por isso as horas são
para mim,
ao mesmo
tempo, texanas e, outras,
vindas do Cabo das Tomentas.
E se me perguntarem as horas
já não vou saber:

meu relógio só marca profundidades -
e posso naufragar até 50 metros!
Bem, as horas estão passando
pro lado de cá.

E lá, uma coisa
me ensinaram:
prá amar não tem hora:
é só chegar bem na hora!
Mas isso é outro assunto
prá outra hora!

Mas é hora de ir.

Senão for, me perco nos
minutos
e me tonteio com os segundos.

Só espero que não seja
minha hora, pois isso é
coisa sagrada.

Tenho até medo daquele
ditado: "cada um tem
sua hora".
Benza! Que não seja a minha!
José Kappel
Enviado por José Kappel em 03/06/2006
Código do texto: T168495
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Sobre o autor
José Kappel
Nova Friburgo - Rio de Janeiro - Brasil
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José Kappel