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SOB A VELHA ÁRVORE

Como uma velha árvore,
Já não acredito mais em estações.
As folhas levadas são pelo vento
E não é setembro, janeiro,
É apenas um raio de sol
Iluminando os ombros
De quem passa.
Entrego meu coração à chuva que cai
E desejo que ela tenha uma boa receita
Para temperá-lo com a terra.
Com  o tempo perdemos as coisas ruins,
Largamos pelo caminho as caretas,
Os bons dias que não devolvemos,
Aquela moeda que ficou no bolso do casaco,
Uma vontade enorme de desamarrar os olhos,
Rever antigos caminhos nas cidades perdidas,
Ser reconhecido pelo cão já velho e que não mais morde.
O rio enterrado, os ossos do orvalho,
Aquarela de barcos, um peixe petrificado,
Talvez se lembrem quando perfurarem a crosta,
As luvas tocarem o corpo do passado,
A autópsia revelar uma civilização de homens sorridentes,
Velhos poemas japoneses, chineses,
Um manuscrito de J.D.Salinger,
Um disco de Hendrix, um lenço de papel.
Quando estiver cansado ou cansada,
Se sente sob uma velha árvore
E verá o tempo escorrer
Areia por entre os dedos,
Um raio de sol atravessar por entre as folhas
E pousar suavemente sobre seu ombro,
Como um velho amigo
Que te abraça a como um irmão.



Preto Moreno
Enviado por Preto Moreno em 05/06/2006
Código do texto: T169863

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Sobre o autor
Preto Moreno
São José do Rio Preto - São Paulo - Brasil
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