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FLORES ENQUANTO A DONA NÃO CHEGA

Inundo a casa de flores.
Na sala, na cozinha,
na varanda, no banheiro.
Ainda não tem no quarto,
Não a inundei por inteiro.
Ainda não fiz florir
as partes íntimas da casa.
Ainda há um não sorrir.
O que não é um chorar.
Sei que o resto também florirá.
Dúvidas sobre a flor certa,
a que dará bom resultado.
Que transforme o não sorrir
num riso autêntico, original, escrachado....
Que se pareça com a dona.
Não será tarefa fácil,
como aquela que ali habita,
mulherzinha teimosa, arredia,
quando cisma, é o diabo, convicta,
certeira, determinada, decidida.
Aqui o que mais complica
é que a madame, a dita,
anda ausente, tirou férias,
ou anda pagando promessa
em algum canto ignorado.
Difícil trazê-la de volta.
É uma praga de teimosa,
só volta se tem vontade
e só o Homem lá em cima
poderá dizer de verdade
o dia em que irá resolver
habitar o seu lugar.
Enquanto isso vou cuidando,
botando flores, à espera
de que ela tropece em uma delas,
e quem sabe, por acidente,
olhe em volta e, de repente,
se lembre que a casa é sua,
que a casa toda é ela,
que faltam flores no quarto,
que a casa tem que sorrir.
Estou apenas cuidando
enquanto ela não está aqui
Débora Denadai
Enviado por Débora Denadai em 14/05/2005
Código do texto: T16988

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Sobre a autora
Débora Denadai
Caracas - Distrito Federal - Venezuela, 54 anos
722 textos (154033 leituras)
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Débora Denadai

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