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Tombadilho de Julho

Vim andando pela calçada
pela esquina,
com três saídas.

Vim andando e dizendo:
não posso andar nem pensar!

Louco, então, eu era!

E porque estou nesta esquina
de três
pontas e um andar de
dez pisos?

Tomei um elevador,
fumei um cigarro,
acariciei um sonho,
olhei vestidos de mulheres,
que, por instantes,
passavam,
com saias afora e dançantes.

E disse:

Que coisa tola,
não posso andar nem
pensar !

Se não posso andar,
nem pensar
não posso andar,nem pensar
e porque ando e penso?

Não tenho mais
deveres.
de casa,
nem mãe quente,
nem pai querido,
nem hora de trabalho,
nem aconchego dos avós!

E então, Budapeste?.
Nem com os tios, nem
com eles posso dormir?

Como vim parar aqui?
Pensando e andando?

Liguei o rádio e,
pouco a pouco,
adormeci,
ao som de uma valsa rubra.

Depois,acordei em outra
esquina, em Zurich,
onde milhares
olhavam um
buraco ser aberto.

É aqui...pensei
É aqui... que começa
a minha história
que de todos é olhar!

Sou o próprio
buraco!
Um mal espírito errante!

Mas que tolo !
Não posso pensar,
sou feito de arco-iris,
abóbora vermelha,
de um corrrimão,
de pedaços e pedaços,
de tantos anos
que, pobre! Jaz no buraco!

E se agora me lembro.
Sou tombadilho de julho,
mês dos aforas,
torquete de pedaços!

E me restou uma dança
dança que não pára e pensa
que sussura e chora - andarilha -
de espírito.

Ele
sobrevoa seus troncos
e faz de ti um imenso
buraco de manjares!

Foi em julho que me levaram!

E agora sei porque
todos se acovelam pra ver
espíritos que vagam pelo mundo:

O Tombadilho de Julho
jaz ali!

José Kappel
Enviado por José Kappel em 06/06/2006
Código do texto: T170492
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Sobre o autor
José Kappel
Nova Friburgo - Rio de Janeiro - Brasil
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José Kappel