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Sou Forma e Barro

Sou forma
e barro,
cumbuca aleijada
de abas tortas;
que, agora,
rosco e me esrosco,
na página dela.

Sou força
e desalento.
Paramento sem festa,
dúvida de qualquer sol!

Cor virada,sem tom,
que desabrocha no verão
sem flores.

Amaciador de pássaros,
andador de ruas,
passageiro fugaz
de avenidas empoeiradas
de luzes sem tom.

Sou fôrma
e desamparo,
roda de passar,
gente de ver,
gosto prá provar,
vítima ocasional
da vida que passa.

Sou fôrma e barro,
rosco e me enrosco,
na lembrança dela,
que dorme vestida
de morte em
algum lugar do meu passado,
que se perdeu no tempo
de minha vida.

Hoje, na virada da vida,
procuro e não acho
coisas delas.

Partiu, sem sentido,
prá lugar nenhum,
lugar que nenhuma aliança
de amor alcança.

Hoje, desvario,
sei que ela foi
prá algum céu
sem nome,
e dorme tranqula
o sono da vida
ao lado dos mortos.

Mas, no fundo,
rosco que me enrosco,
sei que partiu,
prá terra do longe,
onde sonolentam os mortos
onde dorme minha vida.

E da vida,sei:
nunca mais vou
vê-la:
não tenho contratos
de sabedoria com
a paz dos santos.
José Kappel
Enviado por José Kappel em 06/06/2006
Código do texto: T170506
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Sobre o autor
José Kappel
Nova Friburgo - Rio de Janeiro - Brasil
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