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Pra Onde Foram ?

Há de ser diferente:
cada nascer de sol,
cada descida da lua.
Há de ser diferente,
cada mãos dadas,
cada acalanto,
um pouco de cada coisa
de trás ou de vasto alado.

Há de ser diferente,
mas não se assuste com os tridentes,
a fraqueza de meus costados
o leve pulsar de lembranças
pendentes.

Há de ser diferente,
cada um dentro de si,
cada um de nós remoendo
um novo dia cada dia.

Se assim não for
me cadafalso no vazio,
compro um barril de pedras
e vou breguejar, com alívio,
todas as dores que me pesam.

Se sou diferente é porque
ela foi por mim
e nunca mais a
alcançei, nem com uma
acovilhada vela.
Questão de ponto-de-vista:
você veste sua cor
que eu me brando;
você avulsa avenidas
e corta ruas
que eu faço o belo canto!

Tinha que ser diferente.
Mas você era de antão
e eu de perdão.
Prá que sirvo eu, então?

Foi simples: perdido
num espaço qualquer,
entre o meio e o lado,
resolveram me dar vida
emparelhado
com os vazios coagentes
e as solidões dispersas,
mas valentes.
Um sequela de pingentes!

Se sou assim é porque sou assim.
Hoje, sinto muito, não rezo,
muito por convicção.
Tenho até medo de pensar
que você somente existiu
pros colos de outros
e nunca me permitiu
sequer aveludar e tentar
suas mãos, como a velejar
num belo potro!

Hoje me acabano.
Sou cordel do povo.
Pois quando passo,nem abano,
minha solidão triste, que
o povo faz dele um completo coro.

Pura tolice!
Prá que foram fazer
de mim, nascer neste mundo,
que é quase todo de puro desprazer?
José Kappel
Enviado por José Kappel em 07/06/2006
Código do texto: T171004
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Sobre o autor
José Kappel
Nova Friburgo - Rio de Janeiro - Brasil
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