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Das Sombras

Abóbodas sem teto
fazem chover;
meia-luz embriaga os
sentidos,
e me faz te ver.

Se algum dia eu passar por ai
quero ver minha antiga nação,
quero ver o povo tribuno
discutindo sexo no meio
da velha praça.

Próximo, rondam estátuas,
que ninguém liga ou quer
conherer.

Próximo, assentam-se flores
mordicadas pelo abandono.
e sacrificadas à luz do sol.

Há barraquinhas de crianças,
velocípides invencíveis,
babás entendiadas de musgo de
solidão,
e muita sombra vinda de árvores
copadas de cor.

Folhas soltam-se dispersas
e vêm cair nas cabeças calvas
dos sentantes, ou roçar as pedras
hexagonais que firmam o piso,
mas faz vãos tropeçáveis.

À frente da praça acorda
o comércio e marca o início
da rotina das horas.

Eu? Eu sou isso tudo,
numa mistura de céu e terra,
de infernos e ansiedades.

Eu? Eu estou perdido
no princípio e no fim
destes homens,
mulheres e crianças.

Lembrar pouco,
faz sofrer de menos!

Eu? Estou num sonho que não
foi feito prá acordar;
num sonho feito
de dormir prá
sempre
com imagens,sons
e dores.

Eu?Estou perdido
entre meu mundo
que arde,
e outro mundo
que nasce,
sem pedir licença.

Eu? Sou simplesmente uma sombra,
um espírito vago, ou um pedaço
de morte !
José Kappel
Enviado por José Kappel em 08/06/2006
Código do texto: T171504
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Sobre o autor
José Kappel
Nova Friburgo - Rio de Janeiro - Brasil
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José Kappel