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Valsa Sem Cura

Se fosse fácil buscar,
igual a brincar,
ninguém estaria tão perdido
no mundo que tantas voltas dá.

Brincar é possível,
difícil é buscar.
Quantas vezes você não bate?
Quantas vezes vem o eco
e rebate?

É mundo sozinho.
Que se cria no vazio.
Não faz par.
Não faz dois,
nem com reza de três vezes.

Não adianta: se nasceu
prá ser sozinho;
nem adianta rastejar;
as estrelas se adiantam,
o sol se põe mais rápido,
e, você crescido,
se vê diante do nada
onde se sente um pálido.

Se tal fosse barril de pólvora
só faltava explodir!De hora em hora!

É mundo largado,
cheio de gente enganalada,
pronta prá ir a festa
dos ninguéns.
Onde só servem restos
que pouco prestam!

Se subo, desço,
se adianto, atraso,
se fujo, me acham,
se choro
me mandam rezar.

É mundo enganado,
você não acha dois iguais,
pois cada um tá pro seu lado
um não pergunta pro outro
que horas chega,
que horas vêm,
prá minha casa
fazer festa de criança!

Sem ela, sem ninguém,
onde só toca solidão pura
dos mais argutos maestros.
Uma valsa sem cura!

E vive só;
não procura mais.
 
Busca inútil.

Sua vida já se foi.
 
E o poeta de manjares
só diz:
Ida tem uma,
volta não tem mais.

José Kappel
Enviado por José Kappel em 08/06/2006
Código do texto: T171510
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Sobre o autor
José Kappel
Nova Friburgo - Rio de Janeiro - Brasil
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