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Agora sou Malvina

Tem coisas que você não entende. E tem coisas,
Que por mais que queira, não vai entender nunca.
Quando você pensa que está tudo certo.
Tudo no seu lugar, algo acontece. Num espaço de tempo.
Num espaço mínimo de tempo, e uma palavrinha só,
Uma palavrinha a mais ou a falta dela,
E o curso das coisas muda bruscamente.
E você se magoa, os olhos lacrimejam e fica,
O nó na garganta. Como entender? Não tem explicação.

Que mundo, Meu Deus, que mundo!
Podia ser melhor. Podia ser diferente.
Mas não foi. Nunca é.
E já desconfio que nunca vai ser.

Um redemoinho de lutas, de voltas,
De revoltas que não acabam nunca.
Um amontoado de mágoas que não se curam,
Que sempre afloram e que magoam também.

Como lidar com isso? Fico pensando:
Meu Deus tem ser humano que deve ter sido
Muito magoado mesmo pela vida.
Parece um barco que fica ali, girando e virando,
Virando e girando em torno de si mesmo,
Sem saber para onde ir, onde atracar, onde se encontrar.
Fazendo tempestades para viver dentro delas.
Fazendo noites escuras para dormir nos ombros delas.
Fazendo furacões para ser jogado, pisado, triturado,
demolido, destruído por eles.
Construindo muros e derrubando pontes para ilhar-se consigo
mesmo.

Tudo magoa. Tudo fere.
Tudo machuca. Nada está bom.
Ou falta, ou sobra. Ou é tudo, ou é nada.
Ou tem. Ou não tem. Ou está cheio, ou está vazio.
Ou é amigo, ou não é. Ou sabe, ou não sabe.
Não sabe se é vizinho, amigo, patrocinador,
Colega, admirador ou um ser humano tolo,
Falando coisas que ninguém está nem aí.

É, tem ser humano nesta vida que definitivamente
Não sabe o valor que tem. Não sabe que tem amigos
Que se importam de verdade.
Precisa sempre procurar um detalhe, uma palavra,
Uma falta, uma sobra.
Não sabe que a vida, só viver nela,
Já tem um significado tremendo!
É fantástico! Estupendo! Maravilhoso!
Ou isso é muito pouco? É pouco demais?
Para mim é o suficiente!
Para mim é o bastante!
Para mim é o que importa!

Por isso: Cansei!
Cansei de perguntar!
Cansei de carregar!
Cansei de falar!
Cansei de sorrir!
Cansei de buscar.
Cansei de esperar.
Cansei de cansar.
Cansei de ser Maria!
Eu devia me chamar Marilândia Josefina.
Mas acho que agora sou Malvina.
Pois cansei de ser Maria.

Cansei!

Pronto! Já posso respirar outra vez!
A noite chegou e é hora de se recolher.
Ir para dentro de mim, para pensar e meditar!
É hora de repensar decisões.
Hora de desmarcar algumas trilhas.
Hora de pegar o leme de tua vida.
E levar o barco para águas tranqüilas, de calmarias.
E ali atracar, para uma noite de paz e descanso reparador!
 
E Deus, cuida daqueles,
Que ainda não sabem o valor que tem!
Cuida daqueles que ainda não sabem para onde ir!
Será que não sou eu?
Maria
Enviado por Maria em 08/06/2006
Reeditado em 04/06/2011
Código do texto: T171526
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Sobre a autora
Maria
Blumenau - Santa Catarina - Brasil
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Maria

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