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(imagem: Vênus ao entardecer, de Filipe Santos/ www.thousandimages.com


FECHADA PRA BALANÇO

Por favor, 
não deposites em mim
créditos em demasia,
produtos de tua fantasia,
sonhos cheirando a jasmim.
Por favor, não me ponhas na conta
de delírios de perfeição
descritos à exaustão,
idealizados de ponta a ponta.
Saque de imediato
esperanças irreais,
desejos fenomenais,
de coisas que, 
a bem da verdade,
não viram verdade de fato.
Saque a conta, deixe a zero,
o que lançaste no ativo
em milhares de adjetivos
que só estão nos sonhos
e deviam estar no passivo.
Nesta conta corrente
sou só eu, assim, humana,
falível, imperfeita, descrente,
nua, escrachada, demente,
nem sempre cheia de gana
nadando contra a corrente.
Não deposites.
Não há cheque especial
nem crédito adicional.
Fechei pra balanço.
Saque tudo que criastes
e botastes num ativo
que nada tem de real.
Encara apenas isso:
sou o que vês.
Mesmo assim,
nada mal
.
Débora Denadai
Enviado por Débora Denadai em 08/06/2006
Reeditado em 08/06/2006
Código do texto: T171824

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Sobre a autora
Débora Denadai
Caracas - Distrito Federal - Venezuela, 54 anos
722 textos (154043 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 11/12/16 08:15)
Débora Denadai

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