Capa
Cadastro
Textos
Áudios
Autores
Mural
Escrivaninha
Ajuda
Textos
Texto

O VENDEDOR

Vendo palavras.
Em cestas, em pencas,
Quem vai querer um cacho de palavras
Ainda não faladas, úberes, pálidas,
Uma resma da mesma revoada,
Sombras nítidas e úmidas,
Leva, senhor,
Um chumaço de palavras
Que brincam e gozam e brilham
E são pura cor?

Invento palavras. E as vendo.
E tiro as vendas, translúcidas, pelúcias,
Servem para que durma seu sono no sofá,
O retiram do marasmo do cotidiano,
Sou fabricador insano, califa,
Nu, invisível,
Pleno, risível,
Humano.

Vendo palavras.
Quem vai querer uma pétala de uma sílaba só,
Palavra que desata cada um dos seus nós,
Palavras anestesiadas, com cheiro de querência,
Palavras em violenta explosão,
Que explode o amor antigo
E reinventa o segredo da nova combustão?

Se não vendo, dou.
Sou dado às palavras que umedecem o amor
E fazem o ato ser mais que um coito,
Palavras que deliciam os afoitos
E os levam ao indivisível paraíso,
Ao centro da flor.
 
Palavras sem juízo tenho sim,
Como tenho a palavra poeta
Escondida dentro de mim.


Preto Moreno




















Preto Moreno
Enviado por Preto Moreno em 09/06/2006
Reeditado em 09/06/2006
Código do texto: T172402

Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons. Você pode copiar, distribuir, exibir, executar, desde que seja dado crédito ao autor original (Orivaldo Grandizoli). Você não pode fazer uso comercial desta obra. Você não pode criar obras derivadas.
Enviar por e-mail
Denunciar

Comentários

Sobre o autor
Preto Moreno
São José do Rio Preto - São Paulo - Brasil
6768 textos (102475 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 05/12/16 00:42)