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POEMA BLINDADO

Quantos olhos deixarão de brilhar
Até que suas pálpebras se levantem
E iluminem os caminhos de tantos
E tão perdidos na multidão?

Quantas leis serão mantidas
Enquanto o olho seco da criança
O pão por detrás da vitrine mira
E tua mesa, vasta e farta,
Te enfastia e te torna
Obsoleto e lento,
Como um tanque pesado
Arrastado pelo vento?

Quantas paliçadas serão erguidas ao seu redor
Te protegendo do Sudão e do Timor,
Te escondendo do suor das ruas,
Do mecanismo que devora o amor,
Do pai que recebe a criança
E põe a miséria sobre a mesa
Sobre o alumínio vazio e sujo,
E vais blindando suas certezas
Que guardas como um caramujo?

Quanto de solidão existe no mundo
Por falta dos teus abraços,
No filho que te espera imerso
No vazio da tela,
Que por nós vaga e se entrega
A Terra aos abraços das estrelas
E ainda te aquece por receber do sol,
E por dom e graça viverás a humanidade
De uma raça nos tantos dos seus dias
E, por fim, como um ferreiro teus dedos fia
A armadura que te prende à insanidade
Enquanto blindas os ouvidos
À tantas melodias nos arredores da cidade?

Blinda, humana pessoa,
Teu coração,
Tua coroa;

Blinda, humano servo,
Tua ilusão,
Blindas à toa.


Preto Moreno













 






































Preto Moreno
Enviado por Preto Moreno em 09/06/2006
Reeditado em 09/06/2006
Código do texto: T172412

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Sobre o autor
Preto Moreno
São José do Rio Preto - São Paulo - Brasil
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