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Bonde das Seis

Onde eu entro nessa história de várias
entradas e poucas saídas?
Onde me resvalo entre a procura e
pequenos achados?

Se faço sombra é porque meu sol mingou à
distância de teu espírito, se entardeço é porque,
lentamente, respingos do tempo
apagam o que me resta na lembrança.

Mas quando todos se forem
-como eu fui - terei uma
hisória prá contar e outra
prá sonhar.

Não me faço de tolo - não tenho mais jardins - ,
e peco ao tocar no fogo que atiça, embraveja
e de mim foge e dele me fujo e me arreio de medos.

Que esperança é essa que morre no início,
que dorme sem resumos e faz da vida
apenas um rascunho?

Mas quando todos se forem
eu aqui estarei montando guarda de rei,
à sombra de laranjeiras, cheiros de froás,
e alamedas inundadas de ciprestes
tão imensos que se não me dão medo e
lá não me dão prazer!

Tenho o tema mas não tenho a
flauta.
Que fim eu levei?
Sou um milagre ao contrário?

E me escapa, meiga e terna
é o que posso dizer assim de
tão longe?
- de trem não posso ir;
- bondes não passam mais lá,
- carrugens só deslizam no barro !

E viva Maria,
meu doce encanto de mulher
comida pelo tempo
e desgustada pelos deuses.

E Viva Maria, que me acode
quando a tarde sem mais cair
vira noite dentro de minha alma.

E da noite surge o sonho e o nada,
são apenas pinguelas de ouro
que ouso dizer:
Viva Maria,
As ouça!

E fica minha história de três pecados:
o primeiro por contá-la
o segundo por nela acreditar.
e o terceiro, por nela viver!

Mas às 13 horas do dia seguinte
viro gente, como de marmita no celeiro
e tomo uma garrafa de aguardente-
de-cheiro e de saudade.

Agora, pois tudo agora morreu
Até o próprio início se atirou no mais fundo
precipício!

E como não tenho a quem clamar
sonho eu com o dia que
jamais virá.

Com a deusa que - vestal -
me confunde, mas não me socorre
só me atiça entre o fogo e a pedra.

José....pega o bonde das seis,
compra o jornal da tarde
senta no bar da esquina
e toma lá mil litros de aguardentes
de vinténs
porque lá te aguardam mil peças
de ouro e deusas de barro
que a chuva amena leva e trás
e um dia fará você uma viva paixão...
De verdade !
José Kappel
Enviado por José Kappel em 10/06/2006
Código do texto: T172701
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Sobre o autor
José Kappel
Nova Friburgo - Rio de Janeiro - Brasil
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José Kappel