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Poeta força-tarefa

Os dias e as dores dos dias
cobram à exaustão o meu ofício:
vim aos mundos ser poetas

Ainda que em passos recentes
eu tenha sido  fungo ou bactéria
árvore lodo água montanha ou gramínea
sou a poeira cósmica do big-bang

Manhãs e adormeceres rebentam-me os ouvidos
pulsos e pulsares do peito me anunciam guerreiro
a lutar pela salvação do homem

Impuro ou purificado
tenho texto na testa em letras escarlate:
venho às vidas e aos mundos ser poetas

II
É por fúria de justiça que amo o ser humano
Poeta de ofício
zelo para que acordes em paz
ao teu digno dia de trabalho e amor

Acaso me descuide de tanto zelo
acordarás sem a honra do teu labor
nem a amada no leito a acolher-te
Por isso a permanente vigília
o verso e a voz em riste
para iguais conquistas de todos

Compartilho do teu largo riso por estares feliz,
mas culpo-me acaso a felicidade não te venha

III
Guilhotina estas mãos escrevinhadoras
se elas não forem os poemas
que te libertarão da miséria e das desigualdades

Animal furioso ou homem bom
defendo com adagas de luz
e força-tarefa
a segurança da tua vida de justo

IV
Os tempos e as vozes dos tempos
rebentam-me os ouvidos

cobrando os afazeres de meu ofício:
vim aos mundos ser poetas

O Cristo e os cães do peito
gritamgritam para que eu te guarde:
Venho às vidas e aos mundos
ser os teus poetas-de-guarda

       
Rossyr Berny
Enviado por Rossyr Berny em 10/06/2006
Código do texto: T172999
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Sobre o autor
Rossyr Berny
Porto Alegre - Rio Grande do Sul - Brasil
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Rossyr Berny