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A MÃO DO SOL

A mão do sol com seu pincel repinta a noite
E o que era rosto se perdeu na multidão
E o que era gente já perdida em negras trevas
E o que era sol se faz penumbra na amplidão.

A mão do sol levanta a persiana negra
E o que era multidão se acha como rosto
E o que era como trevas se acha como gente
E o que era penumbra n'amplidão é sol posto.

O dia não vem sozinho.

Vem nele os filhos sem cordões, os iô-ôs,
As carretilhas, seus arpões, suas sereias,
Suas sirenes, suas puras liberdades,
E o que era sol sem manchas (era, não é mais),
Manchas de complôs como cágados n'areia.

A noite não vem sozinha.

Vem nela os crimes só com vítimas,
Vitrines fáceis, os corcundas, os fiéis,
Seus labirintos, seus brochados e seus crachás.

E o que era noite sem mistérios (era, não é mais),
As peças do xadrez não possuem pés,
Traz a ânsia da luz, mariposas recolhidas
Em felpuda colher.


Preto Moreno



















Preto Moreno
Enviado por Preto Moreno em 12/06/2006
Reeditado em 04/09/2006
Código do texto: T174205

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Sobre o autor
Preto Moreno
São José do Rio Preto - São Paulo - Brasil
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