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Ferida de Sal

aprendi a escrever
por dever,
desaprendi
lendo
os artistas
de pena, e
carrapichos
de
que nunca
ofendi.

me parto em dois,
por sofrer
na floresta
feita de arquivos,
morando com
esquilos,
chorando
fácil
por tudo
aquilo.

hoje se foram:
o início e o fim,
todos bem partiram;
se é demais dizer,
um torto e afogado
no tonel da vida.

eu, esperto,
só rezei.
e de perto
esperei
ele levantar.

qual. mortos
não andam.

mas na minha
terra de ócio,
perto da rocinha,
mortos andam sim:
depois da meia-noite
das almas,
de pó se tornam
gente!

que agouro!
que aperto!

ter medo do
próximo que
se foi
pra terra
de não dizer,
só sei cantar,
prosa e verso,
e, de pouco,
aprendi a
chorar.

não lamente não,
amor de roça
é assim mesmo,
tem trilhas
e longas
sombras
prá você deitar,
e, cálido, amar.

estar na estação
de chegada
e partidas,
não quer dizer
que você fique,
não quer dizer
que vá.

você é um ponto
de espera,
um momento
da vida,
abrigado
de lanças
partidas.
José Kappel
Enviado por José Kappel em 13/06/2006
Código do texto: T174563
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Sobre o autor
José Kappel
Nova Friburgo - Rio de Janeiro - Brasil
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José Kappel