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Lá no Fundo do Poço

Se o tema é vasto, e bem além,
eu também sou cumprido,
uso chapeleiras,
e roupas de vintém.

Sou pobre igual a uma porta
sem o espaldar do verniz,
sem, ao menos, ter uma
varredura de pincel de atriz!

Se o tema é vasto
eu também sou cumprido,
e não me basto!

Pois lá no Palácio dos Homens
que inventaram o avental,
da falsa prosperidade,
reina o desorgulho
e a vergonha,
de estarmos todos
vendidos no areal
da descompostura e leviandade.

Agora tá no fim,
o fim de um círculo,
onde aconteceu de tudo,
até o mais simples:
governar comprando
todo mundo sem vínculo.

E o Brasil foi afundando
igual a navio sem sono,
roça daqui, roça de lá,
e fomos todos levando
nossa fome e ardor
pro brejo -cheio de ônus -.

Se o tema é vasto
eu também sou comprido
e me envergonho ao lastro!

Os homens estão se despedindo
com os bolsos cheios de rastros
de dinheiro vivo e brincos
de ouros, das senhoras-madames,
que brincaram com a gente
e com os cofres de aço.

Tá chegando ao fim!
E como sou também comprido,
de longe a voz ergo e
tenho o direito de também falar
todo ferido:
pobre de quem nasceu aqui,
mas uma taça, ergo,
ao nosso Brasil viril
que foi levado até ao fundo, sim,
num buraco sem tamanho ao paladar
da fome e do desemprego!

Mas ainda resta em nós
um grito varonil:
ninguém segura este Brasil
de gente boa que sonha doce à mil!

José Kappel
Enviado por José Kappel em 13/06/2006
Código do texto: T174571
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Sobre o autor
José Kappel
Nova Friburgo - Rio de Janeiro - Brasil
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