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Sem Pranto !

Sou casado e bem casado,
no dia, houve festa e muitos assados,
todo mundo beijou a noiva
e eu fui acariciado
pois estava uma coisa.

Passamos bem a lua-de-mel,
num hotel de três estrelas
à beira-mar, de mãos dada e até
com muito gel !

O tempo foi passando
e eu muito amando
minha querida esposa
cheia de novas coisas.

O tempo passou mais ainda
Os anos vieram - que coisa linda:
Eu trabalhando o dia inteiro
e a mulher sempre cheia de afazeres

Ah! adoro aquela mulher,
mulher que não dá azia,
é enfeitiçada, e sempre me dando de colher
o que eu queria, e
coisas que eu nem imaginava
que, no mundo, tais coisas se fazia!

Mas foi num belo dia
que cheguei mais cedo
do trabalho. As costas me ardiam!
E quando abro a porta do quarto
Vejo na cama ela e com quatro.

Os comedores até
se assustaram.
Também!

A mulher parecia
um harém!
Mas acreditar, custou,
ver minha mulher
rezando amém.

Corre daqui,corre dali
ela me carrega pra cozinha
pra uma conversa bem sozinho.

Ela, boa também de conversa,
me explicou a história controversa
com muita emoção:
pecou sem querer, foi o
destino que mandou – diz ela -
quatro homens que sabiam
soletrar o verso,
a fez cair em tentação.

Pediu perdão, pois caiu
no fogo eterno da encarnação
sexual, onde todo mundo mete
pensando numa boa ação!

Perdoei a pobre mulher
pois estava cansada e suada.
Dei a ela um calmante de colher
e vesti a querida com muito alado.

Os ditos homens pecadores
fugiram pela janela
em completo suadouro!

Desde aquele dia, ela mudou,
e mudou pra sempre seu andor,
sempre discreta,
nunca a homem mais ela ligou.

Sei disso porque ela é uma santa
E cheia de encanto.

Só estranho que trabalhe toda noite.

Ela arrumou serviço sem antros,
de madrugada,
vai sempre bem vestida
de saia curta e alugada

Sai lá pelas dez e só volta às cinco!
Pobre mulher, até lhe dei um brinco
prá no seu trabalho à finco
ela mais bonita ficar até até o sol à pino!

Pobre minha mulher,
deusa de meu coração,
nunca mais na vida enganou
este velho e esperto homem
que a tudo fareja, igual
à um cão,
e sabe que o amor não vem de bandeja
mas numa bela canção!

E se alguém dela falar
fico irado e
pego meu trabuco de balas
e enfio no primeiro
que disser: lá vai o Beto
chifrado!

Pois a bem da verdade
ela não me deixa mais entrar
lá no seu campo santo,
pois diz que agora tudo
muito arde,
e logo cai em pranto!

Acredito piamente na mulher
que já não pode me dar
por justa causa,
e por motivo que vem a calhar!

Dar nela dói,
disse ela,
e eu deixo pra lá,
pois sei, sem querelas,
que nosso amor é bem eterno!
José Kappel
Enviado por José Kappel em 13/06/2006
Código do texto: T174576
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Sobre o autor
José Kappel
Nova Friburgo - Rio de Janeiro - Brasil
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José Kappel