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SERVIÇOS GERAIS



Eu vi um homem guardando os ossos de um Imperador.
E os dele, quem os guardará?
Seu túmulo será de vidro e transparente.
Encostado nele, bem rente.
Perguntarão: Era isso? Um homem é isso?
Eu vi muitas pessoas perguntando
Como eram os ossos do Imperador.
E o homem que os guardava, cheio de vida pela morte,
Levou-os por um corredor que tinha fim.
Sorriu seu sorriso de vida e mostrou o resto. E a morte.
E muitos disseram...oh...e se negavam a ver os ossos,
Ossos são coisas de homens humanos
E o que viam era um ósseo Imperador.
Os ossos, cansados, disseram: Deixem-nos em paz!
As pessoas suspiraram e sentiram pena.
Um Imperador fala depois de morto mas já não manda mais.
Sim, o guardador de ossos o visita todas as noites
E horas passa a ouvir e escutar histórias
De um reino acabado.
Sorri seu sorriso de vida e, zeloso, fecha o caixão.
Persigna-se, benze-se, arruda-se, vai embora cheio de si.
Afinal, guardar a morte dá valor à vida.

Preto Moreno
Preto Moreno
Enviado por Preto Moreno em 13/06/2006
Código do texto: T174960

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Sobre o autor
Preto Moreno
São José do Rio Preto - São Paulo - Brasil
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