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Brasil

O meu Brasil é como o melhor do mundo, é intima ternura e desejo de sorrir; uma criança despertando é meu Brasil. Por isso, trancado neste apartamento presenciando despertar meu pai querido. Alegro-me com a felicidade do meu Brasil.

Caso queiram saber de mim  o que significa o meu Brasil, direi: um mundo de bondade. De fato, é mesmo muito bom, meu Brasil é luz, o sol e a água tornam-se translúcida a minha alegria e me dão extensa paz.

Dá vontade de beijar os olhos e acariciar a face de meu Brasil, de niná-lo e alisar seus cabelos. Dá vontade de avivar ainda mais  as cores das vestes (auriverde!) tão lindas de meu Brasil, de meu Brasil de sapatos e meias potentes, meu Brasil  tão rico.

Porque te quero tanto, meu Brasil, eu que sou teu filho, eu semente que veio na atmosfera, eu que não fico e não vou, eu que continuo em contato com a felicidade mesmo com a implacável força do tempo, eu parte da junção entre a realidade  e a ilusão.

Eu linha oculta no vazio de toda a permanência, eu  com Deus tenho-te entretanto em mim como uma felicidade maior, tenho-te como uma devoção perfeita, a quem se afirmou, tenho-te como um amor, sem preceito; tenho-te em tudo que não sou, amor dentro do peito neste apartamento  sozinho e sem alguém para me acariciar direito.

Ah, meu Brasil, lembra-me uma noite de sonho sobrevoando a montanha, num Boing, quando tudo para mim tornou-se pequeno na terra e eu sem querer pude ver mares e montes lá de perto do céu? Surpreendido fiquei ao ver homens pelados inertes no campo sem luz, esperando  aparecer  mãos salvadoras, mas logo veio o dia e eu acordei

Manancial de suavidade, calma feliz, meu Brasil, “amado, idolatrado, salve, salve!”que mais suave esperança encadeada, o ter condição de dizer-te: eternamente te amo... mesmo depois que morto eu estiver.

Sou parte de-te, meu Brasil, e para ser parte de te lutei em todas as frentes , fui pobre,cego, surdo e até de mudo me fiz, fui escorchado, vi minha santa humildade ir por água abaixo, deixei de escrever poemas, de namorar lindas mulheres, esqueci horizontes sonhado, fiquei perdido numa estrada sem fim.

Meu Brasil... O meu Brasil é florão, mostra estandarte; o meu Brasil é povoado de estradas; o meu Brasil é terra de belas praias coloridas; o meu Brasil é amplo mar secular que absolve alegria e urina tristeza. Mais do que o mais belo o meu Brasil possui um calor, um desejo de bondade, um querer bem “Um libertas quae sera tamen” que um dia elucida num apuro esmero e repito! “Libertas quae serás também” para os injustiçados, para os meninos pobres, para os velhos abandonados e para as mulheres aprisionadas à ignorância dos homens do passado.

Exponho o ouvido ao vento e ouço a aura que se diverte com teus cabelos, alisando-te meu Brasil e aromatizando teu solo...Que desejo louco me dá de desvendar teus doces mistérios, meu Brasil, deliciar em tuas entranhas e dançar no compasso de teu coração amigo.

Não te revelarei o nome, meu Brasil, teu nome está em teu hino gravado e não importa se rima ou não com mãe gentil, estas incrustado em mim como um filho querido, que és um mundo de carinho: o mundo Brasil, quem sabe.

Agora ordeno o corvo amigo que convoque o pavão que convoque o João-de-barro para doar-te a alegria do cantar, meu Brasil que pena me dá ver na telinha da tevê teu hino sendo cantado para  comercial de guaraná.
R J Cardoso
Enviado por R J Cardoso em 14/06/2006
Reeditado em 16/06/2006
Código do texto: T175195
Classificação de conteúdo: seguro
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Sobre o autor
R J Cardoso
Rio de Janeiro - Rio de Janeiro - Brasil
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R J Cardoso