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COTIDIANO BUQUÊ


É um escândalo o que fazem com as coisas.

O martelo, sem pregos para pregar,
Descansa como um credo
Sem ninguém para rezar.

A cebola, sem efeito na cozinha,
Dorme, chora, sozinha,
Acostumada ao seu cheiro,
Triste exalar.

O ferro, que não entende o que nos amarrota,
Se vira, de costas, ao roupeiro,
Que não tem o que guardar.

A água, em torneira fechada,
Não entende nada,
Pinga.

A porta, que nem fecha e nem se escancara,
À chave se declara
Em míngua.

A mesa, esperando a sobremesa,
Que não vem, com certeza,
Espera.

A toalha, estendida no varal,
Como carne de animal,
Berra.

O homem, que não diz coisa com coisa,
Perdido em hieróglifos na lousa,
Impera.

As coisas, sem saber porque,
No cotidiano buquê,
Erram.

Preto Moreno














Preto Moreno
Enviado por Preto Moreno em 14/06/2006
Reeditado em 14/06/2006
Código do texto: T175362

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Sobre o autor
Preto Moreno
São José do Rio Preto - São Paulo - Brasil
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