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Morto

www.nardeliofernandesluz.com

(Poema publicado na antologia internacional "Margens do Atlântico", pela Ed. Abrali)

Aconteceu há muitos anos já,
Quando um homem errava, ali e lá,
Exercendo seu livre arbítrio.
Padecia a dor de um amor recente,
E em tal condição, carente,
Buscava o bálsamo, um alívio.

Deu-se num lugar encantado,
Berço de um povo educado,
Um oásis na natureza.
Tanto o povo que ali habitava,
Quanto o verde que a tudo abraçava,
Exalava vida e beleza.

Ali, várias amizades conquistou,
Superando as que deixou,
Nas suas longínquas e difusas andanças.
Não obstante, um presente inusitado,
A mulher, a amante, anjo adorado,
Dali a sempre, senhora das suas lembranças.

A primeva, já “falecida”,
Lúgubre ilusão, primeira esquecida,
Enfim findava insuportáveis dores.
A nova paixão fez-se presente,
Inebriando coração e mente,
O maior, o mais ingente dos amores.

O corpo, altar da deusa, venerada,
O sexo, desvairo, fêmea encantada,
A mais portentosa paixão.
A alma, nobre, pura divindade,
A mente, intelecto, sagacidade,
O cerne da admiração.

A vida seguiu seu rumo,
O homem, o amante, no prumo,
Dono das essenciais faculdades.
A mulher, amada e seleta,
Por anos prosseguiu reta,
Difundindo a felicidade.

O homem inquieto, andante,
Buscou obtuso, ignorante,
A fuga do enfadonho, da rotina.
Sucumbiu ao primeiro ensejo,
Comboiando errôneo desejo,
Principiando a própria ruína.

A amada, enfim, combalida,
Exposta às mazelas de tal vida,
Por outro se encantou.
O demônio diz que é destino,
Fosse ou não, desatino,
A sublime relação findou.

O homem, volvido na boemia,
Nem estranho, nem amigo ouvia,
Entregue à degradação.
Perambulou por horas tardias,
Decidido findar seus dias,
Na madrugada, um estampido, solidão.

Onde a alma apodrece, não há tempo ou espaço,
Voa, rasteja, insensível à dor, sem embaraço,
Exceto o escárnio do demônio, nada há, então!
Ali o dia é negro, a noite eterna, perene,
Na insânia, o homem gargalha, o verme geme,
Na longínqua lembrança, negrume, desolação.

Se permitisse uma luz, um vislumbre, ah!, doce eva;
À mui amada, um breve “oi”, então a volta à treva,
Contudo, nada é lícito no limbo escuro, ignoto.
Hilário no purgatório, embora eu nada pedisse,
O demônio peremptório, certa vez me disse:
“Tu és esse homem, e há tempos, jaz morto.”
Nardélio Luz
Enviado por Nardélio Luz em 17/05/2005
Reeditado em 29/11/2007
Código do texto: T17547

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Sobre o autor
Nardélio Luz
Uberlândia - Minas Gerais - Brasil, 49 anos
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Nardélio Luz