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TROVAS-16

O galo da madrugada
marcou ponto no poleiro
assanhando a galinhada
baixando o pau no terreiro

Não resistindo ao segundo
negando se controlar
botou seu filho no mundo
sem com ninguém se casar

As ondas vão ao contrário
o tempo gira em roldão;
o apocalipse lendário
decola com precisão

entre outros mais qui-pro-cós
das rusgas do nosso amor
vão empilhando cipós
da mágoa que nos selou

Brasil, imenso país
de extensão descomunal
vivendo como perdiz
alimentando o bornal

vejo um beco sem saída
fechando a nossa ilusão
erguemos a voz caída
ou esqueceremos então

Na contagem regressiva
grande incerteza e sobrosso
caindo numa evasiva
depois de tanto roer o osso

A mendicância alarmante
que vive em praças e ruas
pinta em cores contrastantes
nossas realidades cruas

é no olho da fechadura
que se enxerga o que seduz
olhando ali uma candura
despindo-se a um fio de luz
Zecar
Enviado por Zecar em 18/05/2005
Código do texto: T17699
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Sobre o autor
Zecar
Rio de Janeiro - Rio de Janeiro - Brasil
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