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MULHER BONITA (REVISADO)

Neste dia inominável
em que a tua ausência
deixa um espaço filho da puta
entre a sanidade e a demência,
esta mulher desmiolada
tem um ataque de inconsciência
e resolve faxinar a casa.
Limpa prateleiras, revira gavetas,
olha escritos antigos,
murmura e faz caretas
e segue na estupidez mórbida
de desenterrar os mortos.
Assombrada por almas-penadas
e outras tantas sem pena,
de tudo reduz-se a nada
e acaba saindo um poema.
E descobre que é verdade
o que tu vives dizendo:
é bela, em realidade
e este é um peso tremendo.
Descobre-se assim, bonita,
e não tem graça a história.
Esta coisa é meio esquisita
e de acordo com a memória
não foi lá grande vantagem.
Só uma mulher bonita
consegue entender a outra.
Sempre acham que faz fita,
que é sonsa, meio tonta.
Temporária, transitória.
Só uma mulher bonita
sabe a merda que é
não conseguir ficar quieta,
deixada num canto qualquer.
Só sendo mesmo bonita
a gente descobre
que a beleza dói até.
Se a gente nega o que é,
é pura falsa modéstia.
Se assume a beleza que tem
vira metida a besta.
Ser bonita pode ser muito bom.
Pra quem ganha algum com isso.
De resto, é muito melhor ser comum.
Débora Denadai
Enviado por Débora Denadai em 19/05/2005
Código do texto: T18068

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Sobre a autora
Débora Denadai
Caracas - Distrito Federal - Venezuela, 54 anos
722 textos (154014 leituras)
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Débora Denadai