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VAGAS DORES INSENSÍVEIS

                                                       "A dor vai curar estas lástimas,
                                                       o choro tem gosto de lágrimas,
                                                  a dor vai fechar estes cortes,
                                                  o choro tem cheiro de morte..."
                                                                                          (Flores, Titãs)


Vago por horas vagas
e não há vagas.
Vago por entre vagas
deixadas em meio a um nada.
Vago por vagas lembranças,
vagas histórias sem roteiro
das quais sobrou uma vaga,
ligeira, sutil esperança
de entre as tantas e tão vagas
procuras, buscas e andanças,
encontrar o ponto, o lugar,
a vaga pra quem já se cansa.
Vago por entre vagas
num mar repleto de nada,
ando sobre o fio da espada,
e não há senão vagas,
pequeníssimas esperanças.
Vagueio feito uma alma:
penada, sem pena, sem nada,
sob um fardo de enormes penas
das quais tenho vaga lembrança.
Má memória, vagas imagens,
vagas enormes de histórias
todas apenas pedaços,
de uma péssima memória.
Vago por vagos roteiros,
apenas pedaços, restos.
Suspensa num fio de esperança,
desisto de vagar.
Mas vago.
E dói.
E tudo isso me cansa.

Débora Denadai
Enviado por Débora Denadai em 24/06/2006
Código do texto: T181741

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Sobre a autora
Débora Denadai
Caracas - Distrito Federal - Venezuela, 54 anos
722 textos (154034 leituras)
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Débora Denadai

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