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Um poema



 

Um poema é um pedaço de terra arada com os verbos do sangue.

Com ele podemos fazer um corpo com o húmus do tempo, com a bebida

das suas palavras fazemos um pão para todos os dias, para abrir as

gargantas secas de alma e de halos.

Com um poema fazemos a trajectória da lua e compramos o amor, somos

namorados das árvores, dos rios e todas as coisas que são ou não são.

Fazemos pontes, esculpimos abraços, dizemos solidão acompanhada.

Damos murros nas mesas, pontapeamos angústias e dizemos voz.

Não precisamos dos poemas, mas queremos sê-los, para ser menos

E lutarmos por mais.

Precisamos dos poemas para dizer mãe sem ela. Ou de pai para cairmos de joelhos.

 

Ou de Deus

Para dizermos alma.

 

Um poema é um território sem pântano onde podemos beber a água pura e ser uma árvore verde.

Um poema é um Cristo crucificado onde limpamos o pecado,

E seremos um pano de linho branco,

uma criança que vê para além da mentira,

que joga ludo com as estrelas mesmo fechado numa cela.

 

Um poema pode ser uma janela mas eu quero que seja um arco de pedra, a pedra seja de alabastro

E o alabastro, branco, e o branco da cor que só a alma vê

 

 

Constantino Mendes Alves
Enviado por Constantino Mendes Alves em 27/06/2006
Código do texto: T183161
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Sobre o autor
Constantino Mendes Alves
Portugal
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