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TERRA

lisieux

Sou terra árida, sem vida, assim tão seca...
só poeira , sem flores e sem viço.
Sou canteiro onde não nascem sementeiras
onde não há nenhuma folha verde
nem galhos a brotar,
na primavera...

Sou terra úmida, molhada pela chuva
que é a lágrima do céu, que a dor derrama...
Apenas lama... sou charco, lodo, areia,
sou pedra, pedregulho, liso, limo.
Apenas barro, sem o sopro,
sem a ânima...

Porém sou terra reciclável pelo sol
e nas entranhas, ainda guardo minhas garras
que são raízes fundas, destemidas,
que insistem em se expandir,
não se entregar...

E saem do meu seio essas raízes
os galhos aparecem, tão franzinos
lutando contra ventos, intempéries...
E teimam em criar asas
e voar!

Pequenas folhas vêm fazer a fotossíntese,
fotografar o azul, sintetizar a vida...

E da poeira vermelha,
exangüe, denso sangue,
poesia
          nasce...

(inspirada em Canteiro, de Andréa Motta)
lisieux
Enviado por lisieux em 20/05/2005
Código do texto: T18354
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Sobre a autora
lisieux
Belo Horizonte - Minas Gerais - Brasil, 61 anos
394 textos (14454 leituras)
3 e-livros (409 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 05/12/16 02:52)
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