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lá longe não há lua decerto



 

 

parece impossível a lua ser só minha esta noite,

o silêncio e a lua como um bálsamo oriental.

não se esquece nada, apenas, tudo o resto não existe.

as folhas das árvores, devagarinho, fazem uma prece com a linguagem do vento.

o tempo pára no morno da noite como se quisesse falar comigo.

Eu estou na rua, nu, de palavras e ruídos. Não há saudade e memória.

As corujas brancas voam enchendo o ar de fantasmas pacíficos e extraordinários.

Parece impossível que a lua seja minha esta noite, e que eu percorra, lento,

o lago formidável da existência, no luxo do deleite da´paz deste momento.

 

 

lá longe, na vida, há mortos e feridas todos os dias, sem tempo, nem futuro.

 

de cabeça para trás de costas no muro bebo a lua, um hidromel que repito todas as noites de Verão.

 

 

lá longe não há lua decerto.

 

Constantino Mendes Alves
Enviado por Constantino Mendes Alves em 28/06/2006
Código do texto: T183886
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Sobre o autor
Constantino Mendes Alves
Portugal
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