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Balbúrdia na Minha Rotina

Todo ano é a mesma coisa,
mas, às vezes, um pouco diferente.

Alguém morreu, alguém nasceu.
Fica diferente, mas fica igual!

A gente fala no singular,
senão fica uma fila imensa
de mortos.

Sai de capela, entra em enterro,
vai pro hospital, vai pra missa,
sai de missa vai pro aniversário.

E tem um casamento,
e tem o médico, e tem
o ginecologista, a pedicure e o
cabeleiro,
tem a roupa e o sapato.

Tem uma viagem prá cá,
outra de volta prá lá!

Tem a empregada que está esperando
um filho;
e todos olhas desconfiados
pra gente.
Família unida é assim!

Tem cinema, tem invenção,
tem mulher dos outros.

Tem fogos, filarmônica, tem domingo,
tem dia que não tem nada:
neste dia é que a gente faz
mais coisa, pois nossas
coisas estão embrulhadas
no caos!

Tem resumo de novela apra ler,
tem Caras pra comprar
e ler os editoriais de A FOLHA.

Tem que ir no açougue,
no supermercado, na vendinha,
tem que ir no bar,
tem que fumar.
Tem que beber.
Tem que namorar ou amar, ou
ficar de amores com a Lua!

Nisso tudo você está sujeito
a pegar milhares de doenças,
e dar alegria passageira ao
papa-defunto!

Tem a TV que só passa sequestro,
outra, novela,
outra, que só passa Jesus.

Mas, se a gente sobrevive,
todo ano é a mesma coisa.

Só a morte nos separa - dizia
o amante pra outro amante. Mas
separa sim.

Tem festa pra ir, tem hora
de ficar triste e de se alegrar.
Tem hora pra tudo que cabe num ano.

Tem hora de amar e desamar,
tem hora de plantar e colher.
Tem a hora da enxaqueca
e tem o vizinho com a solução.

Tem hora de falar de política
e tem hora de desprezá-la.
Pois já tem gente a roubá-la!

Tem hora de ver o Jornal Nacional.
Tem hora de ouvir rádio evangélica.

Tem hora de ir ao banco,
de pagar contar.E ficar
com menos dinheiro.

No ano, tem hora pra tudo.

E que os céus nos proteja,
se todo ano for assim:
fazer um aniversário
em um mês de doze,
que acaba tendo 30 ou 31 dias,
ou menos.
É dose pra leão!
(Aliás , tem que pagar o Leão)

E tem um montão de tributos
muncipais, estaduais e federais
que a gente paga e nunca sabe
pra onde vai o dinheiro!

Nesta história, o bom é ser fiscal,
pois é o único que sabe onde o dinheiro
é bem aplicado.

Tem casamento pra ir
de vestido novo,
ou de terno guardado.

Todo ano mais lenha nas costas,
mas idade,
obesidade,
celulite,
aspiração.
Morte.

Tem hora pra tudo
mas saco é carregar
todo ano a mesma coisa.
Só vendo o rosto envelhecer!

Algo só pode mudar se der a louca no Bush,
ou se Lula mudar de sexo.

Ai a gente chama FHC de novo,
pra acabar de bagunçar o Brasil.

Lá em Cachemira eles comemoram
o ano num cemitério novo.Morre mais
gente toda hora do que nasce.
É uma morte
a cada segundo!

Lá enterra,
aqui não pára de nascer!

Feliz estão lá na Transilvânia:
estão esperando a gente pra assar
no fogo brando!

É só deixar mais um ano passar
mais um ano e esperar.

Na casa da morte eles não tem folhinha:
nem de mulher nua!

A rua? Transilvânia 2003!
José Kappel
Enviado por José Kappel em 29/06/2006
Código do texto: T184264
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Sobre o autor
José Kappel
Nova Friburgo - Rio de Janeiro - Brasil
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José Kappel