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O JOGO


                                            À Kafka


Foi me dado o jogo. O brinquedo. A sorte.
Foi me dada a lógica. O erro. A conquista.
Sim. Avistei uma cidade. Seus paraplégicos.
Sim. Conquistei a amizade. Uni o olho ao cego.
Perfurei o poço. Encontrei o balde. Carvão.
Acendi o fogo. Era noite. O jogo começara.
Cabeças caiam. Riam. Choravam.
Mães. O que é ser mãe? O confronto.
Tomei um gole. Sorri. Me levantei.
O confinamento terminara. O firmamento.
Jorrei. Senti saudade. Arrepiei.
Sim. O jogo começara. Tudo era novo.
Espanei a roupa. Não sei porque. Era velha.
Visto de entrada. Porte. Carimbo.
Tomei um gole. Arrepiei. Saí.
Caminhei a êsmo. Solitário. Enfêrmo.
Busquei decentes. Boa gente. Boa.
Todos sorriam. Alguns dormiam. De dia.
Me senti novo. Fresco. Resoluto.
Tomei coragem. Saí. Fui embora.
O céu era negro. Estrelas. Vagalumes.
O que foi que disse? Nada. Era o vento.
Atravessei. Atalho. Onde daria?
Saí depressa. Inútil. Não existe pressa.
Pensei depressa. Inútil. Para que pensar?
Olhei dos lados. Tudo era noite. E eu.
Murmurei sons. Escutei. Trogloditas.
Cigano. Eram moedas. Meus bolsos.
Esvaziei depressa. Podiam ver. Perdido.
Nem me deu fome. Nem sono. Alegria.
Abri os olhos. Fechei-os devaragarinho. Sonhei.
Era um artista. Um Rei. Sem coroa.
Sorri. Assim é bom. Nada tenho.
Caminhei sonâmbulo. Feliz. Feliz?
Para onde iria? Para onde? Onde?
Como sonhar? Correr? Sem sair do lugar?
Era inevitável. Confuso. Certo.
Era prisioneiro. Cósmico. Sentido.
Saí. Dos sentidos. Sonhei. Saí.
Deixei. O corpo em algum lugar. Era.
Se. Alguém o encontrar. Tome conta.
Faça de conta. Finja. Permita.
Igual. Vá embora. Arregale os olhos.
Adeus. Era a senha. Igual. Os dois.
Igual. Era. A senha. adeus.
Igual. Os dois. Adeus.
Igual.
Adeus.


Preto Moreno



































 
 
Preto Moreno
Enviado por Preto Moreno em 29/06/2006
Código do texto: T184563

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Sobre o autor
Preto Moreno
São José do Rio Preto - São Paulo - Brasil
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