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Bordas Arenosas

Sou fruto do tempo, mas não tenho mensagem.
Sou horda do passado, mas não tenho histórias.

Correndo,
passo às bordas arenadas, sem
roçá-las,
e vesgo olheiros de musgos às margens de meu poço.

Se afundo, a altura é minha,
a cor é escura, e sou dono dela,
se desço, a distância me compõe,
entre o que há mais de vazio,
o que fala mais de solidão.

E, hoje, arrependido,
só peço perdão a quem não houve.

Mas,como advinhar que meu pai tinha razão.
Como advinhar que a vida dá voltas e,numa delas, ele desaparece feito
ave fugindo da noite?

Hoje,sozinho,meus pesadelos simples se convertem em angústias aameixadas
de dor.

E me pergunto, enquanto profundo:

Pai, porque não olhei à volta, quando me chamou de filho?


E, nesta manhã,
faço do espaço de flores
o meu mundo,
talvez sem razão!

Mas tenho fundos de certeza
que o corpo dela vive aqui,
em formoso linho,
à sombra da mais belo ramo,
tenho certeza.

Tenho também por avidez certeza,
que o corpo dela está atadado
ao meu,
em talos invisíveis e ramos
de bentoriais e carinho !

Se for sonho,acordei!
Se for a morte longe
dela fiquei!

Uma senhora perguntou,
ávida,chea de querência,velha,
onde estava o pouco do
que sobrou de minha vida:
igual a uma casa sem telhas.

Disse eu,pávido e inquieto:
minha vida se foi,devagar,
por entre os ramais das montanhas
travessou de brejos
e riachos de pedras,alagadas.

E se foi e lá ficou.

Sombras, restaram,
de ocasionais lembranças;
se enlaça piedoso - quase louco.

Minha vida,
depois da sua,
fazem duas juntas.

Mas, agora ,que o tempo
abriu suas portas,
só temos a dizer:
até a próxima vida,
até a próxima chegada.

E se digam amém!

Nós vamos morrer
como pássaros feridos,
e, de maãos dadas ao
lado de beijos de enlace,
pois o resto,
só...só
na próxima vida!

Nunca sei ao certo se estou certo,
ou meio arredio de contas e erros.

Sei dela.
Pacífica, tenra,oscilante igual a
uma flor.

Sei dela.

Um dia pegou a malharia e o bonde,
e zarpou prá terra ee três colos.

E pelos mares de
lá,ficou!
ficou.

Até hoje.

Eu, de longe, sonho
com seus triviais beijos,
de mãos dadas apoiadas no
invisível,
do nosso amor eterno.

Só sonhar é possível!

Formamos o contrário de dois:
ela, no jaz formoso de um corpo
quente,
batido pela maresia;
eu, torto, esquálido,
penso no dia...
no dia, que a vida fizer
de dois, o contrário
de um!
José Kappel
Enviado por José Kappel em 02/07/2006
Código do texto: T186001
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Sobre o autor
José Kappel
Nova Friburgo - Rio de Janeiro - Brasil
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José Kappel