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Assim e Agora

Assim,
só por querer.
Outro,
só por dever.

Os dois, causa perdida,
esperança sem ventarola.

Assim, como outrora os
homens faziam: se benziam,
aos domingos, nas águas de
algum moroso lago.

Floridos pelas mulheres
daquele tempo,
aventadas de muitas saias.

Assim.

Mas, agora, mais nada se move:
parece truculento retrato
das nove horas: todo esmaecido,
todo encardido, mas sem ninguém
alado.


Hoje,lastimo a perda,
lastimo a sombra,
me perco nas lembranças,
me charco de ansiedades
tão fúteis,
como querer arrastar
o tempo prá trás.

O tempo foi feito prá ser vivido,
prá ser dividido,
para penetrar nele,
e só sair quando o pêndulo
das horas argir de longe
seu brado:
igual sino
desafinado: você nunca acredita,
que as horas se foram
e os homens foram dormir
nos casebres de telhas mortas!

Assim e agora.

Perco minha outra vida e
sinto e me espero,
por trás do muro tijolado
de cimento,
bem no escuro-breu,espero,
o calor de um abraço seu!

José Kappel
Enviado por José Kappel em 02/07/2006
Código do texto: T186006
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Sobre o autor
José Kappel
Nova Friburgo - Rio de Janeiro - Brasil
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