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Alma de poeta

O poeta deseja viver a realidade, mas a necessidade
De  dias melhores, do amor carnal e fraterno, o leva
A fantasia, ao mundo das mais remotas possibilidades
Ás vezes até se contenta com uma simples frase no papel
Mas fica-lhe quase sempre um vazio perene vindo do céu.

Tudo se torna motivo para, de súbito, escrever lindos poemas
Buscar, pelo menos, pequena razão para dar vida até o que
Vida não tem, tenta explicar tudo, mas às vezes nada explica
Simplesmente navega na magia da poesia que seu coração rega

A riqueza encontra-se em tua alma que mergulhada no prazer
Na solidão, no campo devastado e no vento calmo a soprar
No mar aberto, tem a certeza de não estar fazendo mal a
Ninguém, apenas deixando impressão do bem a todos a dizer.

E com a licença poética que a ele merecidamente é concedida
Pode dizer tudo e da melhor maneira sobre o que na verdade
Pensa, às vezes chega a ser contestado, mas sempre é elogiado
E, então, a ele só resta ter como ponto de partida a própria vida.

Como amor é vida, vai tecendo, vai tecendo como linha no
Mais belo tear, fazendo zig-zague, formando lindos desenhos
Tentando mostrar o desempenho da mente, como a brisa no
Preamar, desenvolvendo raciocínios dos que não sabem amar.

O poeta é louco, louco por amor, por ser meramente sonhador
Por tentar desvendar mistérios que, às vezes quem sabe, não os
Leve a sério, só acha bonitinho e chega a chamar de santinho
Um homem que tem as mesmas dificuldades de todo o sofredor.

São, não dá para saber o certo, milhares por esse mundo afora
Caminhando nas trevas em busca de uma longa noite enluarada
Para os amantes uma perfeita namorada, para a estadia na terra
Uma vida demorada e depois da noite escura uma bela madrugada

O poeta acredita nas impossibilidades tentando transformar o pó
De pedra num “fuba” doce e amarelado, a desavença em amor
O ódio em perdão, a aspereza  em bondade, o Demônio em Cristo
A valentia em humildade, sem se importar se do prado ou da cidade.
 
Sonha poeta que sua vida é sonhar, amar a desilusão, transformar
O metal ruim na mais macia gusa, sem acusar ninguém ao crime
Cometido, sem levar a mulher a trair o marido, sem deixar ninguém
No mundo perdido, sonha poeta, que teu sonho é somente amar.
R J Cardoso
Enviado por R J Cardoso em 03/07/2006
Reeditado em 04/07/2006
Código do texto: T186796
Classificação de conteúdo: seguro
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Sobre o autor
R J Cardoso
Rio de Janeiro - Rio de Janeiro - Brasil
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2 e-livros (393 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 04/12/16 12:25)
R J Cardoso