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À TEMPORIS



Perdoem-me os que trabalham
Porque eu não posso parar.
Tenho que seguir e ir
Até onde o rosto ronda,
Tenho que descobrir
Onde o sonho sonda.

Perdoem-me os que não trabalham
Porque tenho que descansar
Meus sete cavalos,
Mansos, domá-los,
Deitar-me ao lado
E pôr-me a tecer e fiar
Os invisíveis gomos
Da dissolução.

Perdoem-me os que não fazem
Nem uma coisa e nem outra.
À esses, cuspo o tabaco original,
Arranco do saco escrotal
O poema espesso e ralo
Que oxida átomos.

Perdoo-me por tudo quanto
Sejam todos o que fazem e são.
À tudo isso
Escrevo na minha máquina
Hieróglifos ensandecidos
E vivo e morro
Como um doente que se curou
Antes e depois e dentro da Morte.


Preto Moreno

 
Preto Moreno
Enviado por Preto Moreno em 03/07/2006
Código do texto: T186866

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Sobre o autor
Preto Moreno
São José do Rio Preto - São Paulo - Brasil
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