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Sorte Sua

Fausto dos deuses
do norte,
que se escondem
por trás
do pávido movimento
da vida e da morte!

Sorte sua...
Sorte sua,amigo.

Não prover de minha vida,
nem dela querer receber!

Se há uma esquina de vindas
lá moro eu,sem perceber!

Há luzes fortes,
outras,meias-luzes,
feitas de papel de seda
que ofusca igual a um holofote!

E o meu povo
não cansa!

Não cansa de perguntar:
João..João..- sou eu -
onde está sua mulher
zebedeu?

Digo que não sei
de mulher nenhuma,
nem daquelas que
muito se arrumam!

É faina se meter neste
antro
de mulheres quase nuas!

Mas se fizer, faça de repente!
Tão de repente que você não sente!

E foi num minuto que o sol deixou
de nascer,
e lá foi meu minuto morar
na casa do outrora,
bem daquele que não tem sobrancelha
nem pente!
Mas, dizem, é bonito igual a um enfeite!

Bem, quem dançou vestal,
nesta roça de vida,
fui bem eu
- o seu João -
que um dia acreditou
ser bem amado,
ser muito querido,
mas hoje virou
pedestal de criança
brincar de infância
lá no resto da
pracinha de outrora!


II


Vida que corre,
feito água,feito chuva...
vida que passa,
corre sem paixão,
morre que morre,
é vida morta,
tal vida!

Vida que me escorrega,
feito aliança de sabão
que me escorre,
como avental de papel.

Lá moro no fundo do poço.

Poço agreste, de
fazer tremer,
com dobradiças
de folhas suspeitas,
regidas de tumbas,
por falta de sol,
absorta,fria,
sem calor!

Tudo em vão!
E lá se vai a vida,
vida que me deram,
que não pedi,
ao menos sussurei.

Tudo num grande embaraço
com leves travancos!

Minha vida, minha cor,
meus pássaros, minhas dores,
meu jardim sem cor,
que só é rainha...
rainha de horas!

Mas que vida,a tremular,
me tratou de amparar !

Grumete - José Kappel - (21/6/2002 13:26:53)
Deixe o pouco ficar,
arar ao sol,lavar-se à sombra.
Deixe o louco ficar:
de tudo ele promete,
todo amor de sua vida,
sua vida prá sempre, seu amor,
com ou sem revés,
prá sempre, igual a um
rápido grumete!

III


Se falo pouco, é por puro
sentimento -
igual aos dos pássaros cabisbaixos.

Se laço o vento às cordas
do coração,
é que, por acaso, sou
fiel ao raso morrer.

Mas nada reflete tanto
como o espelho.

Se for teu amigo,
mostra o que já foi passado,
e se amigo também for,
mostra que o presente
é somente uma caixa de abrir!

Não creia em acordos!
E, como espelhos enrugados
ainda menos, ainda menos!

Nada custa tanto a mentir
igual ao espelho de seu passado;
nada é tão fatal
e bruto, como o reflexo de sua morte
em vida!
Véspera do Deserto - José Kappel - (26/6/2002 10:03:28)
Faço tórrido passeio em seu corpo
que ferve areia e pulsa o vento;
tórrido anseio de largo dorso,
que apenas sonha, sabendo
que já perdeu a sombra,
e morreu às vésperas do oásis!
José Kappel
Enviado por José Kappel em 04/07/2006
Código do texto: T187163
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Sobre o autor
José Kappel
Nova Friburgo - Rio de Janeiro - Brasil
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José Kappel