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CINZAS

NÃO HÁ FLORES NO JARDIM.
HÁ NO JARDIM APENAS UM VERDE ESPERANÇA.
E EU NÃO POSSO VIVER DO AMANHÃ.
O AGORA CREPITA EM DESEJO.
E TUDO QUE EU DESEJO É DESPIR ESSA MORTE.
MAS A NUDEZ DOS DIAS ME DILACERA,
SENDO A EXTENSÃO DAS NOITES
QUE CONVIDAM A UM PESADELO.
E QUANDO O SONO CHEGA,
ELE É INTERMINÁVEL.
QUEM PASSA LÁ FORA,DISTANTE
COMO AS ESTRELAS QUE FUGIRAM DO CÉU
E SE AFOGARAM NO MAR?
ELAS SABEM QUE EU NÃO POSSO NADAR.
POR QUE NINGUÉM OUVE O MEU GRITO?
E O CANÁRIO FICOU MUDO,
E A ÚNICA MÚSICA QUE TENHO É O SILÊNCIO...
EU FIQUEI CINZA
IGUAL AQUELA TARDE TÉPIDA QUE EU NÃO CONSIGO LEMBRAR.
AS ÁRVORES NÃO GOSTAM DE MIM.
ELAS TAMBÉM TERIAM FUGIDO CONTIGO SE TIVESSEM PERNAS.
ELAS ME OBRIGAM A ANDAR SOBRE FOLHAS SECAS,
QUE SÃO COMO NUVENS PREPARADAS PARA UMA CHUVA TORRENCIAL.
TENHO DE PISAR VAGAROSAMENTE,
SE NÃO EU PRECIPITO
E ME TRANSFORMO EM TEMPESTADE.
O FUTURO É TÃO IMPASSÍVEL
E EU O DESPREZO TAMBÉM.
O AGORA CREPITA EM DESEJO.
MAS NÃO HÁ FLORES NO JARDIM.
QUEM ME ROUBOU A PRIMAVERA?
pedro amaro
Enviado por pedro amaro em 05/07/2006
Código do texto: T187829
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Sobre o autor
pedro amaro
Barra do Piraí - Rio de Janeiro - Brasil, 30 anos
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pedro amaro