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EU CANTO

Eu canto.
E as bacias dançam
Dentro da Carne.
E a excitação invade
Os nervos tesos
E o Princípio do Movimento
Gera
Prazer e tormento
Suor e gratidão.

Eu canto.
E gero a Luz da Música,
Degenero a Musa Única,
Tomo-a de assalto.

Meu canto
Doce e adoçicado mel
Rompe
Os tímpanos da comodidade.
Ao longe,
Como que tempestade,
Vejo um céu revolto de nuvens,
Vejo entes dançando nas cruzes
Num ballet esquisito
E transfigural.

Eu canto.
E regenero e revigoro
Pelos poros dos sons
Que ponho e tiro
Como gralhas no gatilho,
Prontas à explosão.

Eu danço.
E meu canto cria
o Mundo e o Mito,
Gera o fósforo
E o grito,
Sela o encontro
Entre cada Eu Deus.

Eu calo.
E logo o silêncio
Feito de movimento perfeito
Ecoa
Por esse Infinito
Um frêmito,
Um arrepio,
E o começo que Era Nada
Eu criei,
E o fim que Era o Começo
Eu perpetuei
Na Onda Única
Gerada à partir
Do Eu Canto,
Esse nascer mágico,
Essa moeda atrás da orelha,
Essa carta ainda não escrita,
Esse coelho de carne e vento,
Essa necessidade vingadora
Que criei à partir de tudo
O que ainda não Existe.



Preto Moreno




Preto Moreno
Enviado por Preto Moreno em 05/07/2006
Código do texto: T188160

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Sobre o autor
Preto Moreno
São José do Rio Preto - São Paulo - Brasil
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