Capa
Cadastro
Textos
Áudios
Autores
Mural
Escrivaninha
Ajuda
Textos
Texto

CONDICIONAL (ou O poema que deveria ser para ti)

Eu sei que este poema
deveria ser para ti.
Mas as palavras,
levaste-as da minha boca
Dentro da tua.
No último beijo ao sair.
Eu sei que este poema
deveria falar do teu rosto
cuja imagem tão linda
insiste em povoar
os cantos da minha memória.
Ainda, ainda e ainda.
Eu sei que este poema
deveria lembrar o teu gosto.
Mas o teu gosto não tem nome,
não tem palavras
e está tão grudado no meu,
que quando o penso,
ele some.
E eu permaneço aqui.
Com fome, muita fome.
Eu sei que este poema
deveria falar das tuas mãos.
Essas mãos que fazem
do amor uma arte
apenas por existirem.
Mas tuas mãos continuam
grudadas na minha pele
e não há como colocá-las
nos versos.
E quando eu tento,
elas se colam.
Eu verso, verso.
Mas fico no reverso.
Eu sei que este poema
deveria...
Mas meu sentimento
assim meio pretérito,
um tanto condicional,
está tão virado para o futuro
que o presente indicativo
está todo tão escuro
e parece indicativo
que meu presente,
pelo menos na hora atual,
tem que esperar o presente...
do futuro
Débora Denadai
Enviado por Débora Denadai em 21/05/2005
Código do texto: T18824

Copyright © 2005. Todos os direitos reservados.
Você não pode copiar, exibir, distribuir, executar, criar obras derivadas nem fazer uso comercial desta obra sem a devida permissão do autor.
Enviar por e-mail
Denunciar

Comentários

Sobre a autora
Débora Denadai
Caracas - Distrito Federal - Venezuela, 54 anos
722 textos (154036 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 10/12/16 01:31)
Débora Denadai

Site do Escritor