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OLHOS DO AMANHÃ


Não conheço você.
Mas vi a foto do seus números no jornal de hoje.
O que impressiona são seus olhos zero,
Seu corpo um,
Seus dois destinos,
Os inúmeros códigos à suas costas,
A equação indecifrável em sua imagem-presa.
Não vi você.
Na confusão paramágica, lá estava seu retrato,
A captura estática de sua peregrinação;
Suspenso, aéreo,
O confundi com a folha levada pelo vento,
Sem respeitar sinais;
Acima e abaixo de todas as latitudes,
Escrevi uma mandala e te enviei.
Recebi, como resposta,
Folhetos de instrução para aplicar na bolsa,
Uma outra foto, autografada,
A senha catatônica
Para penetrar na terra de Dédalus.
Disse-me que és um,
Tens dois olhos zeros,
Inúmeros contagiros econômicos,
A decifrável chave para a permanência,
Um jornal em branco
Para as notícias do futuro,
Ainda por imprimir,
Ainda por viver,
Por vir.



Preto Moreno




Preto Moreno
Enviado por Preto Moreno em 06/07/2006
Código do texto: T188736

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Sobre o autor
Preto Moreno
São José do Rio Preto - São Paulo - Brasil
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