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MÚSICO E POETA

Quis ser músico e não pude. Era preciso ser poeta.
Quis ser poeta. Não pude. Era preciso ser músico.
Dancei estruturas conexas, refiz o léxico sonoro;
Hoje, diante de uma canção, nervoso,
Não sei se rio ou se choro.

Como um Grimm esgrimo esdrúxulas fábulas, tonteio táboas,
Recupero o juízo com  pasta de amendoim e sorvete;
A dúvida, que é dom sem tonalidades,
Se sacia, à vontade, quando escrevo.

Não sei se tenho ou se terei.
O ócio é a perfeição do entardecer.
Rimos tanto, eu e ela, na última noite,
Melhor seria voltar à Teresina.
Ocupei minha geladeira com salsicha e agrião,
Meio mais, meio cósmico,
Me desculpe se vou rimar com tartamudo.

Não tenho objetivo.
Viver é preciso.
Navegar, só se o mar for de arroz e feijão.
Desculpe. Rimei.

Visto uma camiseta preta,(acabei de tirar).
Tenho sede, tenho fome,
Dôo, divido, separo a melhor parte,
O quilo de filet mignon está R$ 9:80;
Sei que não fui feito para a tenda,
Não sou árabe, nem beduíno,
Essa máquina é uma Lexicon 80:
Será que você aguenta?



Preto Moreno
08/03/2000



Preto Moreno
Enviado por Preto Moreno em 08/07/2006
Reeditado em 08/07/2006
Código do texto: T189853

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Sobre o autor
Preto Moreno
São José do Rio Preto - São Paulo - Brasil
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