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O Centro do Mundo

Se nas folhagens que rebatem o
outono encontrar comigo, digo alô.

Simples de falar,
complexo de entender.

Pense e não fale,
diga, mas sussure,
somos páginas de todos,
e no centro de meio-dia,
lamentamos nossas luxúrias.

O que passou, passou,
somos todos um só.

Não adianta explicar.
A dor tá lá, existe,
veleja pelo corpo,
danifica a esperança,
e corrói os impuros.

Nesta carruagem não entro.
Bem no centro de meio-dia?
Lá não existem coretos,
varas verdes,
crianças de colo,
mães aspirantes
e pais em suspense.

E se um dia eu me encontrar
prometo, diante deste barril,
de puro vinho de discórdia:
bebo ele como água,
e tomo você
dos braços de Zeus e levo
pra casa dos milagres
onde a gente se faz de grande.

Porque de onde eu vim,
ninguém vai.

E a coisa se alastra:
todos vestem brim;
e eu um pobre carmim!
E também com tal vinho?

Que faço eu, com esse
tal de barril de ânsias?
Só lamento na saia dela,
choro um pouco e devagar,
vou simples,
fazer meu pobre canto
a derradeira aurora
da vida que
nunca vivemos!
José Kappel
Enviado por José Kappel em 11/07/2006
Código do texto: T191613
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Sobre o autor
José Kappel
Nova Friburgo - Rio de Janeiro - Brasil
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José Kappel