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Beijo de Chegar

Minha missão acabou:
triste ,enfeitada de
achados e muitas percas.

Se achegue,
seu Mestre, me tire
daqui.

Deste vão mais fundo,
que não tem fundo,
só musgos,espinhos
e escuridão em tudo.

Se achegue seu Mestre:
pois foi aqui
que me colocou,
nesta bruma que não
vai embora,
num sol que nunca aparece.

Com isso, minha missão
acabou. O alegre fenecer
vingou.

Quero ir embora.

Pra que lugar eu não sei,
se é é ida, é de for,
pode ser até
para às nove e meia
da vida,
mas que não haja breu
nem dor e não me leiam
histórias de dor.

Agora só dar prá ter quatro
sonhos de verdade,
sendo, um deles,
dedicado a Maria das Graças,
a que mais quero,
pois foi a primeira a me ver
e a última a suspirar,
a primeira a me enlaçar.

Sendo assim, em nome
do bom senso ,sem franquias,
- coisa dos perplexos e o que
mais falta aqui -.

peço para partir,
pois minha hora chegou sem
nenhuma cor de alegorias.

Carrego dois pares de botas,
um pra chuva, outro pra chegar.

Melhor assim: esperar,
o bonde da meia-noite,
e seguir toda a vida
trilhando;

a procura da mulher verdadeira
que seja cheia de ímpetos,
e, de repente,
dê pelo menos um beijo
ao chegar
e outro
ao partir,
tudo
muito lento.

Mas. se achegue seu Mestre,
veja como é doloroso
não ser nem dono da
própria vida
e morar só no leste.
José Kappel
Enviado por José Kappel em 12/07/2006
Código do texto: T192268
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Sobre o autor
José Kappel
Nova Friburgo - Rio de Janeiro - Brasil
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