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(imagem de Ricardo Costa, www.thousandimages.com)

SEM PARCIMÔNIA, POR FAVOR

Foi necessário
arrancar-me as próprias unhas
ralando minhas paredes,
e em meio ao sangue dos dedos,
descobrir-lhes os vários verdes.
Ora bile,
ora esperança,
ora florestas em chuva,
ora uvas.
Verdes.
Foi preciso arrancar-lhes
o reboco,
as unhas já no toco,
mastigar a mistura
de sangue, cimento e cal,
abrir até ficar o oco,
o ocre, o gosto a sal.
Foi preciso, necessário,
porque é preciso para mim,
porque fui feita assim,
só reconheço com o tato,
que a retina sempre se engana,
e só se conhece de fato
o que se mastiga, se engole,
ainda que depois se vomite,
o que nao combina,
o que nao se admite.
Tem que ser assim,
esta toda cerimônia.
Nao me peçam meia medida,
nem tampouco parcimônia.
Nasci assim descabida, 
em tons cítricos, vermelhos fortes,
olho apontado pro céu,
inquirindo o mundo e Deus.
E nao suporto pastel.

Débora Denadai
Enviado por Débora Denadai em 13/07/2006
Reeditado em 16/07/2006
Código do texto: T193271

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Sobre a autora
Débora Denadai
Caracas - Distrito Federal - Venezuela, 54 anos
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Débora Denadai

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